quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Sal



Onde está você agora?
É o que eu tenho me perguntado.
Você que não tem sentidos.
Não me sente, não me vê.
Mas ouve o eco profundo
No vento se vai

Mais palavras de dor, de amor, de vazio.
A minha guitarra não vive mais o mesmo acorde
O som se calou até que você volte,
Sinta a pressão dos mares
Sinta em seus pés a maré
Eu só quero tirar o sal
Eu só quero cair novamente
No sono profundo.


Deixar



Eu tenho tanto tempo
Pra decidir entender
Um minuto pra passar
Mil pra ceder
A esse jeito, de me surpreender
E quantas estrelas teu céu pode ter?
E quantos mares você pode beber?
Pra saciar essa sede
Vontade de viver, esquecer
Ou só deixar pra lá
Fechando os olhos pra não chorar.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Trocadilho



Eu não me importo que me digam
Que não vale a pena sonhar
Cheguei aqui onde estou agora pelos sonhos
Que durante todo o caminho pude sonhar
E se isso tudo não for nada
Por que não, sonhar?

Musas



Pobre onda
Que só dorme ao teu som
Não seca nem uma lágrima
Ou se perde no chão.
O perdão da unica alma
Ampla e intacta à multidão.

Talvez eu deva a você essas palavras perdidas
Talvez esteja com tigo todas as minhas rimas
Talvez a melodia esteja contida
Nas ultimas estrofes da despedida
E eu não vou mais te dizer
Que hoje tanto faz
Sorrir, ou chorar
Talvez o ato verdadeiro do "amar"
Você tenha levado no teu olhar.

(Ai, e que brando são seus olhos
Que me embalam na valsa da noite contida
E que choram eternamente todas as musas
Nos versos de despedida).

Para o meu querido Flautista

Monotonia da nostalgia



Eu vou sentir saudade
De me perder entre tantas linhas
Que a nossa imaginação unia
E riscava no branco do papel
O olho da raposa
A pressa do orvalho em escorrer da pétala da rosa
O desespero da moça
Eu vou sentir saudade
De riscar a felicidade
Nos traços do teu sorriso.
E quando olhar pra trás
Ficarei feliz em ver
O quanto tudo isso
Ainda faz sentido.

A bailarina

O ar acaba
Começa, retorna
Procura saída.
Se envolve no laço de fita
A vida.
Toda à seus pés (...)
Flutua de leve vai a lua
E sabe quem és.
Assim se faz o vento
Daquele andar
A partir dai tudo é brisa
Baloiça Oscila, leve segundo
Petrifica a gravidade
É apenas a bailarina ...

Ninguém



Os meus pés estão cansados
Desse deserto condicional
Ou é amor ou é ódio
O inverso lateral
De olhares contra postos
Em vertical, horizontal
No avesso desse horizonte
Que invade o real
Os meus sonhos estão perdidos
E eu também estou
O caminho foi traçado
Mas ninguém nos perguntou
Se queriamos realmente brincar de viver
Ou se poderiamos se quer escolher
Mas agora é tão tarde
E os olhares contra postos
Estão todos a pairar
Mas ninguém nos perguntou
Se queriamos continuar...
E o universo conspirou
Onde está o seu olhar agora?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Assonância



Eu te desenho todo perfeito
Como só você poderia ser
Em contorno a via láctea
De dentro pra fora
E todo o universo
Tão imune aos teus pés.
Tudo que eu crie
Por um instante
Imaginação grande
Pra tamanha dimensão
De sonhos distantes
Que aos poucos se vão...


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A morte das flores





Acabou - se, a inspiração do poeta
Por que alguém de tão triste, matou toda a tristeza do mundo.
Acabou em um grito seco de dor
E nasceu de novo no eco profundo.

E quando encontrar o amor
Chorarei de felicidade
E quando chora de dor
Verás que é por saudade
Saudade, do tempo em que podia ouvir
O coração bater feliz...
Acabou - se assim tão depressa
Que mesmo a sonhar
Sinto o perfume, são lírios, são oásis
Mas não acabou - se em palmos da' gua.