quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Bêbado


Pobre de mim que sou covarde
Temo esse amor a mim mesmo
E que não seja tão tarde
Para aceitar o que não tenho

Compre toda minha liberdade
Preencha me com recheio
Tome de mim a lealdade
Mais nunca o que eu fui

Poeta pobre
Jornalista de folhetim
Mas integro de verdade
Que cada um tem pra si
E se por ventura, tento lhe dizer
As más bocas dizem:
- Lá vai ele, amarelo
Vagabundo, bêbado polichinelo coxo.
Quem mandou sair pro mundo?

Poema pra músico triste


Por que tanto não querer
Se em teus ouvidos tem música
Pra que fazer sofrer tua musa?

Se la fora não há mais fina garoa
Que se compare ao oceano
Ou uma lágrima...

Sobre meus ombros
Se tardam fatos
Sobre meus lábios os licores,
Talvez algumas dessas musas
Tenham teus olhos
Mais nunca verei outra alma
Com fervores e
Com tantos compassos assim...

Dançava o maestro sozinho na sala
Os espelhos refletiam o vazio
E assim cantavam silenciosamente todas as semi fusas confusas...
Sem musa, sem noite, sem fim.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Apenas


Não quero mais fingir estar bem
Quero respirar e no ultimo segundo morrer
Nem que seja no silencio de tantos erros
No êxtase de todas as lembranças
No vazio de um quarto
Na ausência de um amor

E quando a noite cair sobre meus tristes olhos
Só verei teu semblante
Só verei tua alma
E sentirei teu abraço me acolhendo
Tão doce quanto a alegria de uma criança
Tão simples quanto um encontro
Enquanto luzes guiam um cara sozinho
Na outra calçada
Ele sou eu, correndo a própria sorte
Brincando de sombra, devaneio de leve lembrança...
De morte.

Adaga


Em você eu vejo sombra
Sou plenamente areia e fumaça
Adaga.
Tão discreta essa dor
Só se permite escorrer pelos olhos
Que não são janelas
Não tem vidro
Nem renda
Nem saia de tule
Em dias de chuva
Adaga, caminha no jardim
Tremula, plenamente morta
Eternamente vivida
Com olhos de pele
Com dobradiças
Ela voa...
Em punhos poesia
Nos olhos, janelas não
Apenas dor.

Mesmo assim, leviana
Adaga voa...
Busca um dia sorrir
Descobrir uma nuvem seca
Descobrir palavras mansas
E não mais chorar por vidraças
Tão frágeis...mais sem essa indecisão.

Tempos


Viajei em mente por vilarejos distantes
E tudo que vi foram teus olhos
Em tempos bonitos
Você me faria sorrir mais uma vez
Em tempos bonitos
Ninguém diria adeus ao que te faz bem
E todo frio seria um motivo
Seria uma cancão entre amigos
Em tempos bons
Eu repetiria todo tempo
O quanto você é único
Vamos voltar esse outubro dentro de nós

Aqui estamos nós
E em tempos bons
Eu voltaria pra casa
E encontraria você.

Good times, you just make me smile
In the air, in the sky, on the street
Nothing is to worse, that haven't you here.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Uma poesia tua


Ao teu sorriso
Eu escrevo versos
Tão invisiveis
Que até me esqueço
Ao teu pesar
Perdi meu tempo
Parei, só pra te ver passar...
Pararia a vida toda
Se assim sentisse poder
Não me basta teu perfume
Quero o amago da tua essência
Tenho tantos ao meu lado
Mais ninguém pode me ver
Tenho tantos versos feitos
Só preciso te falar...
Não deixe por conta da noite
Das estrelas ou da lua
Nem do sol ou do inverno
Uma poesia tua...
E eu sempre vou por ai
Sozinho... falta algo em mim
Que se foi junto á você...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Marítimo


Me desculpe se mal lhe escrevo
Meu caro fantasma de letras tortas
Acontece que este velho barco que navego
É de madeiras velhas
E sempre paro em falsas docas
Sou viajante de sonhos
Desbravador de mares
Deixei tudo queimar no sal deste mar
E só me restaram estes olhares
Tão secos, cheios de areias
Cheios de esperança de terra firme
A ponto de naufragar mais uma vez...

Me desculpe tardios amores
Eu mal escrevo a vocês mais
Eu me tornei poeira do que eu mesmo procurava
Mais confesso que essa alta fúria poética
As vezes ainda vem me visitar
E assim quietamente
Sinto que ainda há algo pra cantar
Pra esses fantasmas de ouvidos surdos
E olhos mortos, vidrados no mar.