terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sereia


Andamos a pé por um longo tempo
Até descansar na areia mansa
Nada era assim tão sereno
Quanto a sensação de maré
Que cansa!

Eu tão velho marinheiro
Que pelo mundo e minhas andanças
Guardei no coração como cativeiro
Um bocado de esperança
Era ainda menininha

Quando eu te vi partir
Tão serena e tranquila
Me pedindo pra sorrir
Tão linda você sereia
Agora em toque de areia
Já nem quero mais partir...

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Incógnita


Ela é forte e límpida
Nada poderia mais valer
Que a força revivida dentro de meu ser
Mas sou frágil aos teus olhos
Nem os fortes podem ver
Que a dor que te impulsiona
É a que te faz crescer
E da vitória em silêncio muitos julgam não a ter
Mas apenas em momentos
Julgam merecer
Essa força que eu tinha e era minha
Como pude não saber?
Mesmo ainda pequenina
Já podia até prever
Que sopa de letrinhas ia me render
Muitas histórias coloridas
Que só eu posso ver.

Canção Suicida


E a tristeza é sempre assim
É um bálsamo de canções
Que saem de mim
Canto de pássaro que não pode voar
Tarde de outono fria de frente pro mar

E se toda essa imensidão me coubesse no peito
Talvez eu menos triste me faria por dentro
Nem se quer pensaria na morte
Não veria nos mudos e inertes, vitimas de sorte
Não permitiria uma lágrima se quer
Das canções mais tristes te fazem mulher
E das memórias nada iria sobrar
Não pensaria em mais nada, ao joga - las ao mar.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tempos


É tempo de além
De ir além de sorrisos 
De sombras ou qualquer gesto 
Que me acometa a atos velhos esquecidos 

Eu sempre de olhos abertos 
E coração triste emergindo 
Em águas calmas tão inertes
Em perfumes enobrecidos 
Que de bêbado se entorpece 
Na noite dos adormecidos. 
E não sobra mais história 
Para velhos livros vendidos
E de que nos serve a memória 
Se são tempos de sorrisos?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A morte do mar


Tão velha quanto as ondas do mar
É a profunda escuridão de um olhar
Desse velho navegador solitário
Que chora ao vazio, triste itinerário
Eu não escolhi ser marinheiro
Eu não escolhi beber e chorar o mar
Eu queria apenas um destino a chegar
Sem viver a deriva de sentimentos
Que me levaram contra o mesmo vento
Que um dia me ajudou guiar,
Este coração tão velho de madeira
Estes olhos que viu muitas sereias
Hoje estancados de memória e areia...
A morte não é triste caro irmão
O que vem é conformação
O que dói mesmo [é viver a esmo]
De uma infindavél imensidão...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Poesia do Hoje


De repente era o depois
Que se desmanchou em rosa
Já não era tempo de ser dois
Como somos em um agora

De repente era só cor
E se desmancharam as rosas
Já não era mais tempo de amor
Já era poesia de outrora

De repente o céu passou
E sem ter estrelas lá fora
O poeta encerrou a poesia do agora

E eu escrevo uma canção de ontem
Eu vivo de lembranças e sorrisos
Mas já não era tempo de ser dois
Eram pássaros livres eternamente fugindo...

De repente, já não era mais tempo de amor
E assim sem rosas
Tudo ficou tão sem cor ...


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Na beira da praia


Havia um tempo já sentados na areia
Ele e eu perdidos nas estrelas caídas
E lá no fim de uma certa e escolhida escuridão
Estaremos para sempre
Em tamanha profundeza
Negligenciando a própria natureza
Relutando a fuga e ao amor

Todos os fantasmas
Todos os perfumes
Todos os problemas
Esquecemos a dor.
Não pude perceber
Aonde um de nós começou a se perder.
Não ouço mais o barulho do mar
Não ouço mais se quer uma só voz
Não nos resta mais nada além de tentar
Preencher esse vazio entre nós.