segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Marítimo


Me desculpe se mal lhe escrevo
Meu caro fantasma de letras tortas
Acontece que este velho barco que navego
É de madeiras velhas
E sempre paro em falsas docas
Sou viajante de sonhos
Desbravador de mares
Deixei tudo queimar no sal deste mar
E só me restaram estes olhares
Tão secos, cheios de areias
Cheios de esperança de terra firme
A ponto de naufragar mais uma vez...

Me desculpe tardios amores
Eu mal escrevo a vocês mais
Eu me tornei poeira do que eu mesmo procurava
Mais confesso que essa alta fúria poética
As vezes ainda vem me visitar
E assim quietamente
Sinto que ainda há algo pra cantar
Pra esses fantasmas de ouvidos surdos
E olhos mortos, vidrados no mar.


Um comentário:

  1. Aéreo

    Todos os ventos sopram do leste
    nem por mais turbilhão que sejam
    as asas do urutum abraceiam as praias
    vestes de nuvens brancas, os sonhos.

    Volgo dolto, chorco sorro
    Deste lado, sempre chego
    Berro grave, se for possivel
    Pulo brevio, num julgu

    O mar, a areia ardendo na sala
    Tudo de cocô, se for mais fresco
    A brisa, antiga maresia das gaivotas
    Palmeiras araras, a ilha.

    Caia, vaia, daia, maia
    Brilho, pupilas resplandecentes
    As gargantas se abrindo
    As estrelas se encontrando

    Os tons entoandos
    Os sons consoandos
    Os mons contornandos
    Os gons encontondos-se

    /\

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